domingo, 23 de fevereiro de 2025

Na vila da culpa

Aqui jaz uma voz
Um som 
Um sim
Um não

Você pode responder por si?
Escolher seguir?
Ficar? 
Quebrar?
Quebrar se?
 e recolher seus cacos?

 É liberdade fugir? 
Fugir liberta?

....
Sou mãe, novamente, de dois filhos que me demandam olhos nos olhos. Sou mãe também de alguém que já cresceu e a quem eu tenho um como dever de estar presente e disponível. Esse alguém que cresceu também tem um filho. 

Por outro lado tenho desejos e sonhos, alguns concretizados e que uma força familiar e cristã me leva a renunciar. 

Acende se uma como que revolta interna contra os deveres que confronta se por sua vez com o império da maternidade e da culpa do dever descumprido. 

Agora devo andar nesta corda sobre duas Nêmesis que disputarão  meu finamento.
Não há para onde escapar e tenho que escolher seguir: uma opção que me faz fraca, outra me faz egoísta e o peculiar desse enredo sarcástico é que o inquisidor no fim e ao cabo sou eu mesma. 

O porque de simplesmente não me livrar está mais abaixo da superfície, aquilo que me constitui e que ainda não sei e não quero nomear.

Na vila da culpa

Aqui jaz uma voz Um som  Um sim Um não Você pode responder por si? Escolher seguir? Ficar?  Quebrar? Quebrar se?  e recolher seus cacos?  É ...